segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Arco e flecha Tribal San - Arma de Sobrevivência.

Olá sobreviventes.
Decidi fazer uma pesquisa sobre o arco tribal Naníbio e compartilhar com vocês minhas conclusões. Acredite, isso fará você rever muitos dos seus conceitos de arquearia de sobrevivência.




Pra começar vamos descrever um pouco do cenário que me levou a este equipamento.
Vários autores e apresentadores famosos tem materiais gravados com os caçadores tribais da Naníbia, os San (ou Basarwa), pelo menos alguns muito famosos tem presença garantida na tribo, Ray Mears, Canterbury, o grande Survivorman Less Stroud e outros. Os nativos são gente dura e poderosa que vivem nas savanas com pouquíssimo recurso e que depende quase que totalmente da caça de subsistência e coleta, sendo que, os homens são caçadores e as mulheres cuidam da aldeia, da coleta de recursos e fazem o artesanato.

O Fato é, para sobreviver de caça eles usam um equipamento muito, mas muito leve, num lugar do mundo onde os bichos são muito, muito grandes, como pode isso?

 O arco

 Durante minha pesquisa pelo arco "San", assisti vários vídeos de sua confecção passo a passo. Não há um padrão de madeira utilizado nem uma medida correta. Qualquer vara de fibra lisa e flexível serve, em um dos materiais o nativo entalhava seu arco a partir de um galho de goiabeira.


Um dado interessante, uma arco desta tribo tem em média de 10 a 16 libras, dispara pequenas e levíssimas setas feitas com uma gramínea local muito parecida com o bambu de vara, porém bem afinado e nem sempre reto. O alcance é de 20 metros.
As cordas são feitas de cisal ou tendões de animais, sendo o mais cobiçado os de girafas, por serem mais longos e fortes.


As atuais pontas de flecha são feitas em aço, são hastes redondas de 20 cm marteladas na ponta e polidas em pedra. Mesmo vivendo plenamente em suas tradições, os nativos usam aço, facas, limas, pontas de lança e de flechas. A ponta em si não passa de 1 cm (10 mm), e a leveza do conjunto garante a velocidade mínima para que esta ponta muito aguda penetre na caça. Peças antigas mostram que as tribos usavam ossos, chifres e presas de animais para fazer as pontas antes da chegada o aço.


Note que, ao se falar em arqueria uma das primeiras perguntas dos novatos é sobre potencia. O mercado lança uma enxurrada de arcos e crossbows de caça cada vez mais poderosas, ponteiras indestrutíveis e sistemas de pontaria infalíveis, o que leva muitos estudantes de sobrevivência a acreditar que um arco deve ser extremamente forte para prover alimento, e muitos desistem do treino, por conta dos custos ou da falta de informação.


Repare bem, aquela bestinha de 80 libras, é 6 vezes mais potente que o arco de caça dos San, que vivem numa das áreas mais inóspitas do mundo.

 Adaptação.

Para os nativos conseguirem abater caças grandes, as setinhas são besuntadas com um poderoso veneno neurotóxico obtido a partir de larvas de um besouro local. Porém não se engane, não são todos os animais que recebem estas setas, só os grandes demais, os pequenos são abatidos de forma tradicional.
O povo San é composto por caçadores extremamente habilidosos, são rastreadores plenos que além de conhecer o terreno em que vivem, lendo as marcas deixadas nele, também conhecem a fauna profundamente. É muito comum ver um caçador imitando o animal que está rastreando, tentando assim pensar e agir como o animal agiria, aumentando suas chance de rastreio.


O veneno é só uma adaptação, como todas as outras que se encontra quando se estuda meios de sobrevivência rudimentar. O povo do deserto ensina algumas lições valiosas para todos nós, encontraram um equipamento leve de transportar em longas jornadas, funcional, que somado a pericia e treino do nativo opera milagres. Quantos de nós não desistimos de um ou outro equipamento porque alguém disse que era fraco, ou que não era adequado e sequer tentamos melhorá-lo?

Um povo isolado nos confins das savanas africanas, sem informação de internet ou meios de pesquisa moderno conseguiu se adaptar e fazer de uma ferramenta simples uma arma eficaz de sobrevivência, já do outro lado do mar, outros homens com mais potencial tecnológico e centenas de milhares de ferramentas modernas, preferem por no lixo equipamentos ainda funcionais, para comprar um "do ano" e mostrar para os amigos.

Sobrevivência meus amigos é adaptação, e não o limite do cartão de crédito.

Abraços.

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