segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Faça sua porta blindada - projeto caseiro.

Na verdade nem é um projeto assim tão exclusivo.
Assim como as facas o que podia ser feito já foi feito e por ter uma aplicação militar óbvia, já foi muito estudado.
Mas ainda há muita obscuridade na hora de tratar o tema, sem falar no preconceito que leva o preparador a ser tratado como um maluco paranoico, mas antes sermos malucos que vitimas ou estatística.

Esta é a postagem de uma adaptação básica de um projeto de porta de segurança muito utilizado na segunda guerra mundial e em países que se preocupam em manter seus cidadãos vivos.

Quando pensar em montar uma porta você deve ter em mente o uso e qual função ela tem de cumprir.
O local onde a porta vai estar também é muito importante. Veja esta imagem:
Trata-se de um bunker militar, feito pra guerra e para suportar castigo, mas vamos nos ater ás portas, são duas e estão numa posição estratégica, o corredor em "L" vai tornar a vida de um invasor um inferno além de proteger a porta 2 (P2) contra impactos diretos, não dá pra usar um aríete ou marreta como se deve num espaço tão pequeno, da mesma forma, não dá pra pegar embalo com uma corrida. Reparem também que se uma munição vencer a porta 1, ela vai parar diretamente em uma parede reta, idem na porta 2, os ocupantes ainda tem uma segunda parede interna para servir de abrigo.
Seguindo esta linha, vamos ver a proxima imagem:
Esta imagem deixa bem claras suas intenções, é um ninho de metralhadora, reparem que há um duto para que granadas sejam despejadas em frente a porta 1, logo podemos presumir que a porta 1 suporta fácil este tipo de assédio, porém, ainda assim há a entrada em L ainda protegendo a porta 2, creio que fica bem claro a função de cada porta e como é importante trabalhar a localização de sua entrada de segurança, por mais piada que pareça, quanto mais você proteger sua porta, mais brutal ela se tornará.

Este é o pior cenário possível para um invasor, ele obrigatoriamente será guiado, sem cobertura alguma, totalmente a mercê dos defensores. Uma olhadinha na porta pode custar caro demais, quanto mais derruba-la.

Pior ainda seria ter que derrubar esta porta blindada:

Além da óbvia dificuldade mecânica, descobrir onde é a entrada torna-se um jogo perigoso para o invasor e uma arma sem igual para o defensor. Não dá pra arrombar uma porta que "não existe" não é mesmo?

Esta é uma porta anti arrombamento clássica:
É disso que você precisa para manter qualquer um fora da área que quer proteger, uma boa fechadura e dois cadeados tornam esta estrutura infernal, mas ainda faltou lidar com outros problemas, como privacidade, proteção balística etc... e é neste ponto que instalamos as chapas de aço:
Reparem bem na foto acima, são duas portas no mesmo batente. Exatamente este modelo, com poucas modificações na forma de fechar é o indicado pelos especialistas Israelenses para ser instalados em abrigos em regiões onde os colonos podem sofrer risco de bombardeamento por foguetes de artilharia. Vejam as fotos:


Para os curiosos, inclusive eu, a chapa mínima indicada pelos especialistas de lá e de aço 1020 com 2 mm de espessura.






Acho que isso dá um bom parâmetro para meus leitores sobre alguns aspectos e mostra onde fui buscar informações que complementam o vídeo.
Embora eu não tenha a pretensão de explodir um artefato na minha porta só pra testar a resistência, tenho plena confiança na estrutura pesada da qual foi feita, cabe agora aqueles que querem literalmente dificultar o trabalho dos agressores impor mais medidas de proteção no projeto, como camadas de chapa extra, trancas mecânicas, escoras, vedação, o bom disso tudo é que o custo é de um portão, muito mais barato que portas industrializadas e pode ser feito em qualquer serralheiro.

Esta postagem foi complementar a este vídeo:

E espero realmente muitas opiniões e ideias nos comentários do BLOG, para que futuros pesquisadores do tema tenham material para avaliar e desenvolver seu projeto.


Abraços!








sábado, 28 de setembro de 2013

Fuga para o mato em cenário de crise.

Quem sou eu para frustrar os planos de alguém, ainda mais quando o assunto é sobreviver.
Porém, esta pode ser uma escolha ruim se não houver conhecimento ou preparo prévio de quem planeja, e, em muitos casos, significa uma morte mais provável do que se ficar em centros urbanos.

A lista de ameaças que estamos expostos é imensa, vai de violência urbana pura e simples a vírus e bactérias mortais, acidentes naturais ou provocados pelo homem, guerra contra um inimigo estrangeiro ou o que é pior, um conflito civil. Crises financeiras globais, falha na infra estrutura elétrica, crises políticas onde o estado atua contra seus rivais ideológicos ou até um evento cósmico como um impacto de corpo celeste ou uma explosão solar.

Acho que podemos traçar algumas linhas de pensamento lógico e até compor um índice de probabilidades para termos alguma ideia de qual ameaça é mais "possível" ou "provável", mas esta postagem não será hoje. Analises como o efeito colateral destes eventos são ainda mais complexas, por exemplo, mesmo que não sejamos bombardeados diretamente por um ataque nuclear e seus efeitos fiquem restritos a países do norte, como EUA ou Europa, teremos de lidar com uma invasão em larga escala de nosso território, poucos sabem, mas faz parte do trabalho dos militares manter vários estratagemas de ataque preparados, inclusive contra aliados, pois nunca se sabe quando uma merda vai ocorrer.

A comprovação disso é o fato de, em uma avaliação informal (?), especialistas em estratégia militar e membros de um famoso fórum, garantirem que temos a QUINTA melhor tropa de selva do mundo apta a atuar na Amazônia. Parece piada? Perdemos para a França, Estados Unidos, Inglaterra e pasmem, Rússia. Nossa grande vantagem sempre foi o conhecimento do ambiente, e nossos grandes parceiros trataram de correr atrás, Bases americanas na Colômbia, bases nas Guianas e centros de treinamento altamente complexos mantidos pelas SAS britânica e unidades de Elite Russa ( Spetznas) na Venezuela.
 Alguns dos critérios de avaliação dos especialistas, só por curiosidade:
Acesso a Informação local - Todas as 5 forças atuantes tem acesso a nativos, ao ambiente e a seus recursos naturais. ( tem índio nos países vizinhos sabiam?)

Equipamento e treinamento - Entre os 5 melhor avaliados, 4 possuem o que há de melhor em tecnologia de combate moderno, cada um de seus soldados de elite é equipado com itens de ultima geração, de coletes balísticos a botas, inclusive houve uma citação interessante, os russos estão desenvolvendo uma munição específica para maximizar desempenho na floresta amazônica. Claro o país com equipamento obsoleto é o Brasil. Acredite, hoje qualquer praticante de bushcraft ou camping selvagem possui equipamento melhor que o de nossos soldados cujo fardamento é feito na China entre outras "versões" piores de itens primários, como mochilas, tralha de hidratação etc, com a exceção óbvia do equipamento de combate, tem civil brasileiro mais bem paramentado e com mais recursos.

Pesquisa - Em poucos anos, países estrangeiros investiram milhares de milhões em pesquisa na nossa floresta, inclusive em nosso território através de suas ONGs. Os resultados desta exploração fica com eles, é claro, logo, eles conhecem e documentaram muito mais recursos que nós, tanto fármacos quanto alimentares, também documentaram o ciclo de vida das florestas, dos animais e das plantas e chegaram inclusive a criar uma " mini Amazônia" em seus países. É simples, um soldado americano por exemplo, vai receber o mesmo treinamento que o nosso com nativos e uma dose extra de conhecimentos oriundos da pesquisa de seu país, logo, num aperto sério, vai saber mais que um soldado brasileiro.

Experiência - Qualquer atirador num fim de semana da mais tiro que um soldado brasileiro durante toda a sua carreira. Nossas unidades de elite gastam 1,6% da munição gasta em treinamento das unidades de elite gringas. Uma matéria recente mostra que temos munição para meia hora de guerra. TODAS as unidades que foram avaliadas tem experiência em combate ou conflitos. Já nós.. nem avião de traficante podemos derrubar.

Você deve estar se perguntando onde quero chegar e porque esta sucata de exército que temos ainda está numa posição relativamente alta.
O Exercito Brasileiro preparou as nossas florestas para guerra.

Exatamente, estes soldados, muito bem treinados, mesmo com o sucateamento e descaso do governo brasileiro, por conta da estratégia de defesa adotada, são absurdamente letais na floresta.
Se engana quem acha que vão enfrentar diretamente o inimigo. De bobos eles não tem nada, assumiram logo a opção mais barata e no caso de um conflito por lá se tornarão guerrilheiros, melhor dizendo, usarão técnicas de combate assimétrico. Para isso, em diversos pontos da floresta esconderam "BASES" com suprimentos. Você encontrará armas, abrigos, combustíveis, comida, suprimentos médicos, ferramentas, peças de reposição e manutenção e muito mais enterrados sob o manto da floresta. Estes suprimentos podem manter os soldados por muito tempo até que as linhas de suprimento sejam restabelecidas.
Trocando em miúdos, morre muita gente antes que se possa dizer que a floresta tem um novo dono, e isso hoje em dia é no mínimo condenável pela opinião pública, pois todos aprenderam com o Vietnan.

Lá nas forças armadas, bem ou mal estão alocados os maiores especialistas e estudiosos que temos em termo de estratégia e se eles chegaram a conclusão que uma preparação de terreno é necessária para manter outros tantos especialistas em mato vivos e operando por muito tempo, porque você acredita que pode existir só com uma simples mochila na bagagem?

Você não conseguirá transportar todas as ferramentas que irá precisar, nem todos os suprimentos e rações de emergência, e quanto aos itens de medicina ou combustíveis? Este ponto de vista atesta que a mochila de fuga, ou um veículo preparado serve somente para ir e vir de um ponto a outro ou transpor uns poucos dias de privação, e que a grande jogada é ainda planejar bem, escolher um ou mais pontos para servir de base e prepará-lo da melhor maneira.

Segue abaixo um pequeno bando de ideias do que você pode ir deixando  na sua base caso tenha como estratégia fugir para o mato:

Itens de saúde, como bandagens, curativos, talas e faixas, compostos para fazer soro fisiológico, ferver e destilar agua, tesouras, pinças, grampos e agulhas. Enfim, tudo que não é perecível e que só depende de aspectos físicos de armazenamento.

Alimentação, Você pode carregar um kit básico para armadilhas e pesca na sua mochila, mas em sua base está um bom estoque de anzóis, linhas, arames e gatilhos para várias armadilhas. é aqui que você deixa o mel, vinho, aguardente, latas de liofilizado, leite em pó, café, sal, farinha temperada embalada a vácuo e outra infinidade de comidas de longa duração que comporão a sua ração de emergência.

Árvores certas nos lugares certos são um recurso incrível, você pode conseguir frutas, material específico para abrigos, entalhes e construção. Um rápido estudo regional ditará qual animal será atraído a ela, formando assim uma ceva natural e um local óbvio para caça. Além das mudas de árvores frutíferas você pode inserir na floresta ervas repelentes, medicinais e até árvores específicas para corte, já que grandes troncos rendem bons abrigos. O melhor disso é, tudo é naturalmente camuflado e tem sua produção permanente.

Agua, sabe aquela sua panela velha, ou caldeirão usado, ou quem sabe aquele plástico enorme que veio embalando algum produto? Pois é, o lugar deles é escondido no seu refúgio, na hora certa se transformam num incrivel sistema de captação e purificação de agua. Materiais para um filtro também podem ficar guardados esperando a hora de serem usados. Aquela garrafa pet vai encontrar um bom uso e o cloro em pó também.

Ferramentas, nas idas e vindas para seu refúgio, poupe-se do peso dos cabos, você poderá armazenar cabeças de machado, enxadas, enxadões, picaretas e até ir aos poucos levando pinças e martelos para uma forja improvisada, um bom saco de pregos lambuzados em óleo duram muito, bem como arames galvanizados.

Existe um bom motivo para as famílias que vivem isoladas estarem sempre na beira da água e responderem sem pestanejar que o tesouro mais importante que possuem serem os anzóis. Uma nascente bem trabalhada pode formar um laguinho secreto e ser abastecida com pequenos peixes capturados na região, mas um rio sempre será uma ótima rota de fuga.

Sim, existem casos onde pessoas vivem com quase nada, em situação de extrema pobreza por anos isolados em locais inóspitos, mas isso não tem de ser assim. Sobrevivencialistas e preparadores devem partir de um local preparado para outro local preparado, pelo menos estudado com todos seus recursos e meios mapeados. A mesma métrica que faz com que nós tenhamos nossas preparações e reservas hoje (em tempos de paz) deve ser seguida num cenário de crise.

É difícil imaginar toda uma família tipicamente urbana fazendo uma transição tão radical, o que me leva a pensar em idosos, crianças, mulheres grávidas e eventuais feridos, mas experimentar algo aproximado desta estratégia é relativamente fácil para o sobrevivencialista, basta juntar seu grupo e partir para um camping convencional, na pior das hipóteses será uma experiência diferenciada.

Caro leitor, geralmente nos comentários das minhas postagens há muita informação valiosa, espero realmente que continue assim, pois este é um assunto que merece ser lapidado e discutido, já que a aplicação e prática do sobrevivencialismo com ênfase ao ar livre é tão fascinante.


Abraços.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O Forte - Fim da rotina no bushcraft nacional?

Eu sou um estudante de técnicas de sobrevivência, um sobrevivencialista, e como tal vejo o bushcraft primitivo como uma das tantas ferramentas de aprendizado que podemos lançar mão em momentos de crise. Eu estaria mentindo aos meu leitores se postasse aqui só o meu olhar técnico sobre o bushcraft, fui escoteiro e a prática me oferece o que a muito perdi quando me tornei chefe, o bushcraft é a chance de voltar a ser lobinho, integrar uma patrulha escoteira ou aventurar-se como os seniores, logo, eu amo bushcraft em sua essência.

Giuliano Toniolo foi sempre pioneiro, e o fato de ser meu amigo pessoal não muda isso e iniciar algo não significa ser o melhor, mas ele é.
Centenas de seguidores, muitos imitadores e pessoas que fazem trabalhos sérios seguindo seu modelo e quando todos estavam quase chegando a conclusão que canal de bushcraft é tudo igual, o pioneiro manda mais um novo conceito, que só poderia ter partido de alguém que é realmente aquilo que os outros gostariam de ser.

Acompanhei a batalha para que este especial fosse produzido. Com recursos próprios, atuando como ator produtor, apresentador, roteirista e com recursos comuns a qualquer um, Giuliano surpreende com um material sólido, integro, de fotografia e produção impecável, não só elevando o termo bushcraft a um outro nível como também resgatando parte da história e geografia do país, para muitos desconhecida.

O que compartilho agora é paixão, conhecimento e arte, com doses excessivas de talento e determinação, com vocês O FORTE. Completo.

Abraços.
Parte 1:

Parte 2:


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Vivendo atrás das linhas inimigas.

Na semana que nasceu o Léo, e foi uma baita correria de idas e vindas, porém, a preocupação que não me deixava dormir serviu para colocar a leitura em dia e lí coisas bem interessantes, como um velho livro chamado "stronghold" e "O Cerco", o que me levou a uma velha apostila de história e estratégias militares.
O que nos leva ao tema de hoje, que é sobreviver sob cerco, ou sitiado em um bunker.


Quando eu falo sitiado não estou me referindo a um monte de gente armada estacionada fora dos perímetros esperando pra lutar com quem esta dentro, penso em perigos no geral, como um meio ambiente hostil, locais contaminados, agentes biológicos ou qualquer outro risco, como um distúrbio civil que deixariam as ruas um inferno ou até uma guerra,  enfim, quaisquer circunstâncias que exijam que o sobrevivencialista esteja em cheque, fechado na segurança de seu abrigo preparado.
 Não tem como não viajar no tempo para a época dos grandes castelos medievais, soberanos sobre vilas e cidadelas, preparados para resistir por muito tempo ao assédio inimigo ou simplesmente vender muito caro sua posição.
Mais que uma posição defensiva, o grande problema que existia na época para os que tentavam conquistar uma área protegida por um castelo era a projeção de poder, se um castelo fosse simplesmente ignorado, tinha recursos para despejar uma força considerável de homens armados e bem alimentados atrás das linhas inimigas e assim romper linhas de abastecimento e logística ou simplesmente engrossar fileiras e servir como uma bigorna, esmagando os invasores contra o malho de uma força opositora que barrem seu caminho.
Castelos tinham que cair.

Os tempos mudaram, a ciência e o desenvolvimento afetaram drasticamente a forma que os humanos fazem guerra, se protegem ou traçam suas estratégias de sobrevivência, porém, mesmo nos exércitos mais poderosos e tecnológicos os castelos perduram, hoje são chamados de quartéis e bases militares, muitos ainda mantém grossas muralhas e abusam do aço e concreto, outros são abertos, amplos, defendidos por muitas mãos e armas e o mais terrível tipo de castelo é aquele que afunda nas entranhas da terra ou simplesmente "não existem", bases secretas cheias de segredos.

Algum esforço deve ser feito para que certas preparações sejam descobertas e vencidas e centenas de possibilidades analisadas, a maior verdade é que não existem fortalezas inexpugnáveis, TODAS podem ser vencidas, o problema é a força necessária para isso, algumas caem com uma marreta e talhadeiras, outras precisam de um pequeno exército e para algumas são necessárias algumas ogivas nucleares nos lugares certos ou um terremoto de partir a terra ao meio.

Vamos agora pensar um pouco, vamos falar do sobrevivencialista tipicamente urbano que é especialista neste ambiente, sim meus caros, o nativo das grandes urbes também se adapta aquele sistema a ponto de perceber suas nuances, tal como o caboclo da roça que anda no mato instintivamente evitando seus perigos e reconhecendo os recursos de seu ambiente, o morador das metrópoles anda pelas ruas de seu meio distinguindo e avaliando centenas de possibilidades instintivamente. Basta pegar uma pessoa que viveu a vida toda num sitio cheio de horizontes verdes e soltar no meio da Av. Paulista na hora do Rush, diga a ele: "Você tem de chegar a São Bernardo do Campo em 1 Hora". O caboclo vai estranhar o ar, o cheiro, vai se sentir pequeno perto dos arranha céus, vai entrar em ruas e becos que são evitados pela maioria dos locais e talvez até peça informações pra se orientar na cracolândia. Certamente vai falar demais, porque na cidadezinha dele todos se conhecem e isso cria um "escudo", não que só existam pessoas boas no interior, mas um marginal não vai simplesmente furtar o cara que é primo do marido da tia, ou que é compadre do pai, logo o caipira fala demais, achando que ali pelo menos uma pessoa conhece alguém que conhece o cidadão...

Um sobrevivencialista exclusivamente urbano com uma boa preparação pode criar uma base muito forte na cidade, capaz de resistir a muito castigo. A grande facilidade de se contratar serviços, pesquisar preços e obter recursos baratos, equipamentos e tecnologias pode formar um castelo urbano secreto e repleto de recursos.

Não precisa ser um especialista para entender as fragilidades das metrópoles, um comum acidente de caro pode gerar quilômetros de congestionamentos e tornar a existência do vivente um inferno de buzinas, cansaço e stress, o que dizer de um evento mais abrangente, como um atentado, uma guerra ou bombardeio inimigo que quebre a infra estrutura básica, que já não é das melhores. Um bom exemplo disso, e Paulistas saberão, são os meses de janeiro/fevereiro, época das chuvas. Um evento maior geraria um caos sem precedentes nos grandes centros, e podemos falar de evacuação em massa, milhares de mortes, uma escalada de violência sem precedentes entre outros. Assim que o impacto inicial deste evento varresse como uma onda as cidades como conhecemos hoje e presumindo que o sobrevivencialista estivesse na segurança de sua estrutura preparada, sua base seria como uma ilha num mar de tubarões e ele estaria literalmente atrás das linhas inimigas como um castelo medieval negligenciado pelos invasores.


A sobrevivência está em sair ileso do golpe inicial, depois inicia-se o processo de subsistência que dependendo dos recursos preparados na base pode ser mais ou menos difícil, isso sem contar todos os perigos externos.
Viver no interior tem vantagens e desvantagens, entre as vantagens as principais são que o golpe do martelo tende a ser menor e as chances de sobreviver a um grande evento são maiores, depois vem a questão de sustentabilidade, é mais fácil conseguir agua, lenha e até comida já que é uma área tipicamente produtora por outro lado, o governo ou poder vigente vai se focalizar em restabelecer seus grandes centros onde milhões de pessoas estão e certamente todos os recursos serão direcionados. O que há de mecanismos de socorro, energia e abastecimento será desviado e é bem possível que a médio e longo prazo, na reconstrução da estrutura, a pequena cidade do interior com 12 000 habitantes estará a própria sorte e até negligenciada ou saqueada por meios oficiais em prol da maioria. Basta ponderar de onde virá a agua tratada que abastecerá a metrópole ou para onde serão encaminhados os excedentes de doentes, feridos e estropiados. Trocando em miúdos e sendo sincero sobre todas as limitações estruturais básicas das pequenas cidades, é bem possível que a época de privações nestas localidades durem mais tempo.

Sim meus queridos, eu quero realmente fazê-los pensar e extrapolar o básico das garrafas cheias de grãos, facas e filtros de agua, armas e roupas camufladas, a essência da sobrevivência urbana pode ser um cenário crítico, perigoso mas ainda assim estudado e planejado e um castelo secreto num bairro qualquer das metrópoles pode valer mais que uma famosa e ampla fazenda cheia de recursos. O mesmo sol que ilumina a braquiara, esquenta os telhados e lajes de concreto das cidades grandes.

Será que se a merda bater no ventilador, não estaremos todos, caipiras e urbanos vivendo atrás das linhas inimigas?

Abraços.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Bushcraft : Agua, fogo e sangue.

Acho que a tensão começou semana antes do curso feito em SP. Para mim não era um simples acampamento, eu seria o cozinheiro.


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Sobrevivencialismo : Sigilo ou divulgação?


11 em cada 10 preparadores concordam que o sigilo é a maior arma de segurança que se pode dispor em um momento de crise, trocando em miúdos, quanto menos pessoas souberem de suas preparações, menos visado você será como um alvo apetitoso em um momento de crise.
Manter canais de divulgação do tema é sem dúvida um dos maiores paradoxos do sobrevivencialismo, exceto é claro para quem não é um sobrevivencialista.

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